Apesar de ainda não ser um livro excelente ou que mereça tamanha devoção, é mais bem escrito do que o Código e possui uma história mais redonda, com menos furos do que a outra. E nisso tudo, o que mais me surpreende é que 'Anjos e demônios' foi escrito antes do Código, o que, presume-se, deveria ser a iniciação acabou se transformando em algo superior.
Nesta primeira empreitada de Robert Langdom, o autor procura esmiuçar demais o caráter e a genialidade do seu professor de Harvard, pecando no excesso de detalhes de sua vida acadêmica. Ao mesmo tempo, ele coloca em Vittoria Vetra características que a deixam beirando a 'mulher perfeita', receita que repetiria com a criptógrafa de Código. Os demais personagens são bem estereotipados: 'o grande cientista', 'aquele dividido entre a ciência e a religião', 'o provável traíra', 'o louco que faz tudo' etc.

Quanto a história em si, há algo de possível no início e até mesmo fácil de acontecer, pois a religião ainda é uma fonte riquíssima de questionamentos, porém, no desenrolar dos fatos, qualquer vestígio de possível verdade é jogado no ralo com cenas inacreditáveis e situações bizarras.
No frigir do ovos, o Vaticano acaba fortalecido e o autor deixa no ar aquela coisa de 'é melhor que a humanidade continue acreditando em Deus'. Ao mesmo tempo, ele deixa na cabeça de algumas pessoas que adoram confundir realidade com ficção (vide o fenômeno do Código) a sensação de que o Papa Francisco pode cair com a língua negra a qualquer momento...

PS.: Assim que terminei o livro, fui ver o filme. E só tenho uma coisa a dizer sobre ele: SOFRÍVEL. Nem Tom Hanks, nem Ewan McGregor salvam o bichinho...
Ficha técnica:

Livro: Anjos e demônios
Autor: Dan Brown
Editora: Sextante
Páginas: 464
Ano: 2004
Nota/Cotação: 3 de 5

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